domingo, 11 de novembro de 2012

Crônica da falecida crônica!


Fonte
    

Um cachorro não comeu minha crônica, mas o suco de maracujá acabou com ela. Isso mesmo. Vou explicar essa peripécia...
Estava na correria do dia, almoçando e revisando a crônica escrita em uma folha de papel, na casa da vovó, quando me levantei da mesa para repetir o frango frito, maravilhoso, e deixei a crônica sobre a mesa. Consegui a proeza de esbarrar no meu copo de suco de maracujá sem perceber! O suco caiu sobre meus escritos, e eu sequer percebi. Talvez fosse algum efeito que o frango surtia. Sei lá. 


Quem tentou resgatar o papel foi minha tia-bisa. Com um cuidado impecável, ela tentou tirar a folha da mesa experimentando mantê-la inteira. Não conseguiu! À medida que ela mexia, ficava pior. Não demorei a ver o desastre. O frango estava no prato, e meus olhos fixos no trabalho da titia. Ela, toda delicada, puxou a única pontinha seca do papel de área 0,00001 m², e a folha se partiu ao meio. Então, tentou desgarrar da mesa as duas partes da folha e ambas se rasgaram mais uma vez. Eu assistia à mutilação de minha crônica. O prato caiu ao chão, meus olhos se encheram de lágrimas como nas cenas de novela das oito. Mentira. 
Nada de prato quebrado nem prantos... Só larguei tudo na mesa e fui ajudar titia a terminar com o assassinato da minha crônica. Bom, eu não podia reclamar de algo que eu mesmo havia feito. Mas o meu pai, ah, ele sim podia reclamar da minha falta de atenção. Coisa de mães e pais! Ele estava achando que era algo relativo ao trabalho, talvez pela minha preocupação. Bem, não deixa de ter o mesmo nível de importância para mim. A diferença é que se fosse algo do trabalho, eu seria esganado pelo chefe. Agora como é uma crônica do meu blog, talvez os leitores que me esganem...
Depois de velar a folha e enterrá-la, voltei à normalidade de minha vida. O frango frito ainda me esperava, menos quente, mas ainda suculento. Eu comi, ouvindo ainda meus pais citarem alguns exemplos da minha desatenção em casa aos meus avós. Para minha sorte meus avós são da vanguarda do mimo aos netinhos. Defenderam-me lindamente! "Ah, mas ele tá trabalhando e estudando demais!" "Jovem é assim mesmo!" "Quando eu era mais novo fui panhar umas mangas pra minha mãe fazer suco, levei um balde, coloquei as mangas no balde, vi uma bonitinha e pensei: essa aqui vou chupar agora. Peguei ela, comi em cima da árvore mesmo, desci com o barrigão cheio e feliz. Até com sono! Voltei pra fazenda sem o balde. Esqueci tudinho lá! Voltei no pé de manga, o balde tinha sumido!" Meu pai ainda quis arrebatar dizendo que eu não apanharia uma fruta do pé. Que pé? Queria que eles encontrassem um pé de alguma fruta comestível, num raio de um quilômetro de casa, que não estivesse dentro da casa alheia. Oras! Depois disso minha avó me serviu mais suco de maracujá. Na hora certa. 
 Sabe, é uma pena eu ter perdido aquela crônica... Estava, modéstia a parte, boa. Fiquei o resto do dia triste. Mas me recuperei... Logo, logo irei escrevê-la novamente, afinal os escritos de um autor tem a útil propriedade de permanecerem vivos em sua mente. Mãos a obra, então! 
Luís Fellipe Alves




30 comentários:

  1. Hahaha!
    Luís, eu tenho que dizer: a sua crônica não morreu em vão. Ou melhor, talvez ela tenha se matado só pra você escrever a respeito dela.
    E olha, ela deve estar feliz...Que delícia de leitura! Adorei!

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    1. Olá Isa! Será meeeesmo que ela fez isso? Ah, se esse foi o objetivo dela, conseguiu! hahahaha
      Fico feliz que tenha gostado, obrigado.
      Um abraço!

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  2. Adorei a cronica! Muito boa e concordo com a Isa!

    Agora, vem cá, queria saber como é sua letra! rsrs

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    1. Olá, primeiramente vamos deixar de anonimato! Depois penso em postar uma foto com minha letra ou uma digitalização.

      abraço.

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  3. Supere, a vida é feita de superações...rsrs
    Que ela descanse em Paz, ou reencarne, vc é quem decidirá.

    Pensemos:
    1. Foi um morte tranquila afinal o suco era de maracujá
    2. Havia algo acontecendo com Nossa Senhora das coisas que derramam esses dias pois por aqui derramei algumas coisas que não vale narrar, mas valia citar, pois me ocorreu de eu estar com a mão furada (frase de pais), mas devia ser algo cósmico.
    3. Um crônica que se desmancha, morre e td seu infortúnio gera um crônica é uma crônica com vida além da vida, quase uma Higlander.

    Boa semana, bons ventos longe dos copos de suco de maracujá :)

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    1. hahahaha realmente, muito bem observado a questão do suco. Morte tranquila, tranquila...
      Gostei do poder atribuído àquela que passou para outra... vida! Achei bem curioso que no final nascia outra crônica. A princípio a ideia era só dar algumas justificativas pelo grande período sem postar nada, e inclusive eu postaria algumas fotos de minhas obras favoritas que estão em meu quarto. Mas quando vi, eu já havia derramado meu teor de crônica nisso tudo! rs

      Boa semana a você também. Estou menos distraído e dedicando outro horário longe das refeições para ler...rs

      Abraço.

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  4. Trazendo a resposta ao seu comentário no meu post sobre prendas, adorei a tirada sobre o robozinho de seu pai.
    Eu digo ao meu filho de 12 anos, sobre a falta total dele de interesse, atitude, destreza e o pior de tudo, paciência para abrir coisas:
    "Faça de conta que vc está no deserto, morrendo de fome e isso é a única coisa que vc tem e ninguém para te ajudar"
    O que vc pontuou lá é o que penso e tds deviam pensar e praticar com relação aos pais, aos mais velhos em geral. Não quero ser padeira ou não me interesso por bordado, adoro os prontos, mas fazer para mim é coisa de mulheres com super poderes de concentração, vim sem esse opcional....rsrs, contudo vejo os bordados por exemplo como uma arte, como referência de minha mãe, sei que representam costumes, tradições e podemos fazer correlações dessa arte com nossas vidas. Tecidos, linhas, agulhas, adornos...

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    1. Concordo, Tina. É bem por aí mesmo. Talvez o que esteja faltando seja a percepção de que essas técnicas são parte cultural de nossa linhagem. Não há interesse sequer em saber do que se trata para, mais tarde, contar às gerações futuras sobre tal. Mostrar fotos, contar histórias. São coisas simples, mas, sem dúvidas, riquíssimas.

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    2. Percebi ao revisitar meu comentário, faço isso as vezes qd comento com pressa, para ver se não cometi algum crime grave contra a gramática ou ver se não me fiz entender e percebi que comi duas letras A no comentário sobre sua crônica, culpa sua que me deixou com fome e desejo do frago frito :)

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    3. Ah, mas essas proezas de vó acabando com a gramática, vou te contar, viu! rsrs

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  5. Antes de tudo é bom deixar claro que não gosto de suco de maracujá...
    Em segundo lugar, queria lhe dizer que você nunca mais ira escrever uma crônica tão boa quanto aquela - nunca há vi... Quando estiver a reescrevendo ira sempre pensar: aquela outra era melhor...
    OU NÃO...

    Até mais Luís... fica o abraço do Felipe...

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    1. Sempre há essa possibilidade, né? Espero que, pelo contrário, ela saia ainda melhor que a original! rs
      Mas já aconteceu isso comigo... Perder uma redação da escola, por exemplo, precisar reescrevê-la e ver que não estava tão boa quanto a outra. No fim depende de mim escrever outra tão boa quanto aquela... Só postarei quando ela me agradar tanto quanto sua idealização enterrada no dia 9!

      Um abraço!

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  6. Ai, pobrezinha!
    Sinto-me plena de empatia por ti neste momento, meu amigo! Já vivi momentos assim, de perdas insubstituíveis... Inclusive, sinto-me na obrigação de alertá-lo, já que está prestes a iniciar sua vida acadêmica (ou já iniciou?), pois distrações como essa podem custar caro, veja meu caso: uma colega e eu realizamos análise literária da obra A Missão, conforme solicitação da exigente professora de Literatura Brasileira. As notas costumavam ser baixas, então não tínhamos grandes expectativas... entregamos o trabalho, que era filho único, pois na época não tínhamos toda a comodidade atual em termos de tecnologia (ou seja, não ficamos com nenhuma cópia). Mas, para nossa surpresa, o trabalhou voltou com um notão e logo depois com o convite da professora para que fosse publicado!!! Mas então... cadê o trabalho?! SUMIU! E estava sob minha responsabilidade... Até hoje lembro de minha colega frisando as palavras, quando lhe contei o feito: tenho vontade de te matar, sério que eu tenho! rsrsrs
    Mas passa e a gente sobrevive, e digo mais: descobre que pode fazer sempre melhor! Pense que aquele foi apenas o rascunho, da próxima vez virá a crônica passada a limpo!!! Aguardo ansiosamente sua publicação "in memorian" rsrsrs

    Um abraço.

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    1. Suzy é muito bom ver você por aqui!
      Ah, ainda não iniciei a vida acadêmica, meu início será agora, em 2013. Nossa, que situação! Imagino como você deve ter ficado... Principalmente porque um convite desses, mais que inesperado, é gratificante. Pelo menos vocês tem guardado com vocês essa honra!

      Com certeza sobrevivemos! Isso passa... Situações assim rondam nossos dia-a-dia, perdemos coisas que não poderíamos, mas tenho certeza que conseguimos superar isso e tentar sempre melhorar, assim como você disse sobre a próxima! haha

      Abraço e obrigado pela visita!


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  7. Gostei mesmo do seu blog, Luís Fellipe!
    Um abraço desde Argentina.
    HD

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    1. Olá, Humberto, seja bem-vindo ao blog!
      Fico feliz por ter gostado, volte mais vezes.
      Um abraço!

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  8. rsrs, péra, Fellipe! Você disse que no ano que vem postaria a crônica, achei muito tempo! Ela deve estar muito viva na sua cabeça, não a deixe morrer! Mas é aquilo... as coisas acontecem, mas sempre deixam uma janela aberta. Olha no que deu o desastre com o maracujá! Outra crônica linda. Agora, amigo, sente no computador e coloque na tela e vá salvando... Não consigo escrever mais no papel, só tomo nota no bloquinho (da bolsa) para não esquecer o principal da crônica.
    Mas esperaremos, só avise que é ela a crônica do maracujá!!!

    Um abraço!! Ela voltará, revigorada.

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    1. hahaha Tais eu já comecei a reescrevê-la, mas acho conveniente postá-la só no próximo ano... Uma questão de anos redondos... Você irá entender!

      Eu nunca havia escrito uma crônica inteira no papel. É que nesse dia eu não estava próximo a um computador, mas tinha papel e caneta em mãos! Depois fui fazendo todas as correções, acréscimos, decréscimos ali mesmo na folha.
      Quando for a hora da crônica, avisrei! rsrs

      Um abraço!

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  9. Ahh, não gostei da morte da crônica. Tadinha... Mas fiquei encantada com a forma que você contornou a situação! hehehe. Você salvou a crônica sem perceber! Veja agora ela esta eternizada. Sabemos que ela existiu. e isso é fantástico. Sim, ela vai reencarnar, mas isso leva tempo!!!!

    Foi bom saber da existência dela!!!

    Bom demais te ler Luis!
    abraço! ;)

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    1. hahahaha de alguma forma ela merecia essa homenagem!
      Sim, é um processo demoradinho. Mas o tempo passa rapidinho, logo ela estará aqui, sendo uma das várias de 2013!

      Fico feliz que tenha gostado de saber sobre ela! rs
      Um abraço, gosto muito de vê-la por aqui! :)

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  10. Um exemplo vivo de como suco não faz bem a saúde! kkkk
    Gostei muito e fico. Um bj e seja bem-vindo por lá

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    1. hahahaha pois é!
      Seja bem-vinda ao blog, Gisa!
      Um abraço.

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  11. Oi Luis Felipe!

    Quanta novidade por aqui hein! Vejo que o suco de laranja deu o que falar! ele já foi absolvido né!

    muito interessante a história da Crônica. E me faz pensar em como devemos aproveitar bem cada pedacinho de nossas vidas. Acidentes acontecem, mas se vivemos bem as lembranças ficam e logo podemos reconstruí-las, ou dar outros rumos sem deixar a peteca caída no chão!

    Um abraço pra ti!

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    1. Olá, Vanessa!

      Ah ele foi absolvido sim. Tadinho! hahaha
      É realmente dessa forma que conseguimos ter boas lembranças: aproveitando o momento ao máximo... Tenho certeza que o incidente não foi uma fatalidade. Deu mais vidas do que haveria se a crônica estivesse intacta.

      Um abraço!

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  12. Boas lembranças....o importante é sempre escrever, abraço Lisette.

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    1. Seja bem-vinda ao blog, Lisette.
      Com certeza!
      Um abraço.

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  13. Excelente!! ótima homenagem, muito bem pensada e apresentada!

    Vou dar uma "sapeada" por aqui...

    []s

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    1. Bem-vindo ao blog, Rafael!
      Agradeço sua visita e seu elogio!
      Abraço.

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Obrigado!




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