terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Simpatia não engorda





Acredito que simpatia seja fundamental. Falando-se em atendimento ao público, principalmente. Buscando por uma vida saborosa e ao mesmo tempo saudável, fui a uma rede de fast-foods onde você monta seu lanche com as opções apresentadas. Dentre elas, existem as possibilidades menos calóricas, então não deixe a expressão fast-food contrariar a palavra saudável. Mas deixando a saúde de lado um pouquinho, permita-me relevar um diferencial no meu dia.
O atendimento nesse tipo de lugar é geralmente muito mecanizado, gravado, chato. A atendente fala rápido, pois a fila está grande... “O dobro de queijo por mais três reais?” Repita essa frase aumentando a velocidade. Agora imagine minha distração pela suculência de tudo e a fome atacando sem piedade... Você pede que a moça repita a pergunta e ela forçadamente fala mais devagar, como se você fosse uma pequena criança aprendendo a assimilar coisas.
Qualquer mudança nesse aspecto já te chama atenção. Foi assim que fui surpreendido por aquela simpatia e energia. Já era noite, ela poderia estar cansada do turno, quase morrendo do outro lado do balcão e oferecendo aos clientes um rosto de não-aguento-mais-ver-gente. Mas não. Ela ofereceu um belo atendimento... Peguei a conversa dela com a moça do caixa, no ar. Percebi de imediato a simplicidade que eu vinha reconhecendo desde a primeira vez que fui lá e ela estava em turno.
— Ah, vou fazer uma comida simples mesmo. Frango assado, farofa e maionese. Comida de pobre...
Ela me olhou e não resisti em comentar.
— Mas essa é a comida boa...
— Não é verdade? O tal de caviar e “escargô” não tão com nada...  Você vem aqui quase sempre, né?
— Ah, já estive aqui várias vezes...
— É, eu me lembro de você. Educado, fala baixinho...
Agradeci. Enquanto ela montava meu lanche e percebia que eu acrescentava somente algumas opções simples, até comentou.
— Só? Básico!
          E no momento que complementei com um pouco de maionese, ela ainda ressalvou uma parte familiar de sua vida.
— Tenho uma tia que não sabe ler nem escrever. Tadinha. Ela fala marionese... “Fulano, vai buscar marionese pra mim!”
E tem mais. A moça contraria aquela opinião de que atendentes “vivos” estão sujeitos a descuidos. Ela não se distraiu de sua função em nenhum momento! Estava já na fase final, então fui conduzido ao caixa para pagar.
A atendente voltou ao começo da pista, onde havia outros clientes a serem atendidos e contemplados por uma simpatia inigualável. Percebia nos outros clientes uma surpresa similar a minha. Todos sorriam, faziam seu pedido com tranquilidade, pediam pra ela caprichar, e ela toda orgulhosa de seu posto respondia “pode deixar!”.
Uma franquia de sorte? Talvez. Se depender de mim, passo por lá para cumprimentá-la sempre que der. E se for pra fazer um lanchinho, o local predileto. Estou contagiado por aquela energia.  Nada mais saudável do que um sorriso acompanhado das palavras certas. 

Luís Fellipe Alves 

11 comentários:

  1. Pois é! Ser simpático e observador não engorda, não é ilegal e nem imoral, isso não é ótimo?!

    Além da simpatia da atendente a sua observação e aproveitamento das vivências cotidianas, como também eu faço, é maravilhosa, agrega, nos faz enxergar tudo que não se aproveita sem olhar apurado, sem paciência, e nos faz tb reconhecer, pontuar e questionar o que é errado ou ruim.

    Eu escreveria por horas situações tanto boas quantos ruins de atendentes e atendimentos. Mas recente tem uma da Fast-food número 1 em fama, sorrisos, frases e mecanicidade e colesterol. A criatura com certeza estava no lugar errado, não falava, olhava distante, expressão fechada, movimentos lentos..eu estranhei e pensei: Deve estar num dia difícil e ai puxei a ficha de antecedentes e lembrei de vários atendentes fora do "padrão": Um que comia batatas enquanto colocava meu lanche, outra que falava da festa do dia anterior e nem parecia que eu estava ali e pensei: as pessoas vem aqui e já tem o atendimento tão cadastrado e tb estão tão em outra dimensão que não percebem que isso aqui mudou bastante.
    De bom precisava imprimir 1.000 mensagens, coloquei o máximo que consegui por página, fui a copiadora para que fizessem a conta de quantas folhas imprimir e ai a atendente, em meio a um caos de pessoas para atender, pouco espaço e mtas máquinas, calma e sorridente, sem parecer uma mercenária louca como todos que trabalham com serviços, me disse, imprima só uma folha que custa 0,30 centavos e tire cópias que custam 0,09. Eu comprei cafezinho pra ela enquanto esperava e fiz uma oração para que ela não mudasse, além de agradecer pela economia e pensar: voltarei sempre!

    Um viva aos lanches saudáveis, a simpatia, ao bom atendimento, ao tratamento cortes aos atendentes e prestadores de serviço e a Sá Carneiro e Anne Frank \o/

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    1. Tina, que bom ver você por aqui!

      Mas que raridade, não? Uma atendente cercada por tantos motivos de estresse, de loucura, de mente fora do ar, que olha, que continue assim mesmo! Muito legal sua atitude.
      Como o Paulo (abaixo) ressaltou, é difícil aguentar tantos fatores que estão por todos os lados. Os atendentes são ilhas cercadas por todo tipo de águas... Ora salgadas, ora doces. O pior é quando a água tangencia indiferentemente...

      VIVA TUDO ISSO! Anne e Sá são duas inspirações. Não poderiam deixar de aparecer!
      Beijos.

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  2. Simpatia no atendimento está cada vez mais raro, mas não culpo os atendentes, que são hostilizados de um lado por clientes arrogantes de outro por superiores autoritários. Admirável que algumas pessoas ainda sejam agradáveis apesar de tudo, é realmente muito bom encontrar um sorriso em quem não se espera.

    Abraço.

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    1. Concordo que seja difícil, Paulo. Levando-se em consideração que muitas vezes esse tipo de emprego faça parte das opções limitadas, percebemos que julgá-los não é certo. Mas por outro lado, acredito que toda escolha deve ser feita mediante uma análise sobre o futuro do emprego. E a humildade que provém dessa necessidade de empregos, que estão limitados, deverá ser a fonte de um bom atendimento...
      Fiquei muito feliz ao vê-la sorrir daquela maneira. É essa, entre outras atitudes, que são aquela famosa flor no asfalto. Há esperança, ainda.

      Abraços!

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  3. Sabe, Fellipe, as pessoas carregam normalmente o que são, como estão. Geralmente as atendentes de cidades menores, do interior, são ótimas. Não são estressadas como também não são os seus moradores. Tudo é mais calmo e a vida faz seu percurso com mais gosto. As atitudes indelicadas, apressadas e do tipo ' não tô nem aí... ' acontecem onde a vida é corrida ou quando pegamos alguém que realmente se preocupa só com ela. Estão no lugar errado. Mas quando pegam pela frente gente como elas, logicamente se darão mal. Indelicadeza gratuita ninguém suporta. Mas entendo que é o mal da vida moderna, onde a comunicação se faz online, virtual. Onde gasta-se horas defronte uma tela e perde-se a capacidade da comunicação concreta. Infelizmente é o mundo de hoje. Topamos com isso todos os dias, em vários lugares. Tento entender sempre uma situação assim, até faço que não vejo, se não for muito... Gostei do título! Original e direto.

    Beijos, amigo!

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    1. Então, Tais, aí está a diferença. Ribeirão tem de interior apenas a localização. Muitas dessas características interioranas foram perdidas quando a cidade sofreu um boom nos anos 80. Chegavam mais de 10 pessoas por dia na cidade e hoje o porte dela e o crescimento desenfreado trouxe características peculiares de metrópoles... Trânsito proporcionalmente ruim, falta de educação similar, problemas sociais e ambientais, pessoas estressadas pelas ruas, que andam e olham através das outras. Esbarram, xingam, se estressam. Estou preparando uma crônica sobre uma situação rápida que passei anteontem.
      Enfim, aquela atendente era uma raridade! Mas depois dessa crônica, não é que encontrei outras? Será que dei abertura à simpatia? Será que eu andava sério demais?
      Bom, tudo o que sei é que fiquei feliz com isso.
      Agradeço sua visita pontual!
      Beijo!

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  4. Bom, eu trabalho diretamente com o público há dez anos e te digo que, realmente, não é fácil. Mas, quando se gosta do que se faz, tudo fica menos complicado.

    Beijão!

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    1. Com certeza, trabalhar com público é trabalhar com diferenças! Mas que fique claro que não defendo o público com essa crônica somente por estar desse lado do balcão! Existem atendentes e clientes em não conformidade com suas posições.

      Beijo, e obrigado pela visita!

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  5. Olá Felipe!

    Demorei mas vim conhecer seu espaço... Te peço desculpas pela demora, ando em processo de 'litígio' com o meu computador que me rouba muito tempo rsrs.

    Tudo tão bonito por aqui! Tua escrita é limpa, concisa e charmosa!

    Além de uma grande qualidade que vc tem, e que só por ela já te admiro (vc tem o mesmo nome do meu neto rsrs), acabo de descobrir que também é educado e fala baixinho... Mais um pouco vou querer adotá-lo... rsrs.

    Parabéns pela crônica! Demonstrou ser sensível, inteligente e observador. Com muita propriedade fez de um acontecimento corriqueiro do teu cotidiano um belo texto.

    Também aprecio atendentes bem-humorados de bem com vida! Pessoas chatas que se irritam com facilidade me causam um cansaço... Na maioria das vezes só consigo rir da situação rsrs. Acho que meu riso frouxo me salva de muitos aborrecimentos rsrs.

    Beijão pra vc!

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    1. Sueli, é muito bom vê-la por aqui! Seja bem-vinda!
      Entendo perfeitamente, máquinas! rsrs

      Agradeço de coração pelos belos elogios. Então tenho um chará! Temos mais em comum do que imaginamos rsrs Será um bem dos Luíses?

      Os atendentes passam por muitas pessoas diferentes. Você e a Tais, que moram em cidades gigantescas, devem provar desses atendimentos quase sempre. Existem atendentes chatos, clientes chatos e também os contrários. Quando os chatos se encontram, imagino a cena! Só rindo mesmo... A vida é muita curta para desperdiçarmos com chateações que no fim não levam a nada, não é mesmo?

      Mais uma vez, obrigado!
      Beijão!

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  6. Luís Fellipe,

    Estou ultra mega atrasada!!! Muitos motivos, não vou usar seu lindo espaço me explicando, afinal tenho mais o que comentar aqui: muitas novidades, estou adorando!!! Aos poucos, me atualizo, prometo.

    Sobre este texto, que adorável atendente você encontrou! Não dá vontade de voltar sempre? Por outro lado, não importa a qualidade do produto, gente antipática é repelente natural: não volto, procuro outro local. Outro ponto interessante e totalmente positivo nessa moça, conforme descrita por ti, é a simplicidade: como nos faz bem o simples, o espontâneo, o natural!

    Mas tem um detalhe nessa história toda: a simpatia dela somou com a sua! Acredito que isso faz muita diferença. Não atuo na área de vendas, mas também presto atendimento ao público (e num setor onde é raro encontrar pessoas de bom humor, elas tem seus motivos...). Minha colega de sala diz que sou o tipo "que está sempre rindo", mas penso que as pessoas que se esforçam para ser simpáticas percebem isso melhor do que aquelas que chegam de rosto fechado e cara de poucos amigos. Você percebeu a simpatia da moça porque estava receptivo, porque tinha algo a doar, a oferecer também. De qualquer modo, simpatia não engorda e será sempre a melhor opção!

    Eis minhas ideias sobre a simpatia. Bom demais estar aqui, sempre!!! Um abraço.

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Obrigado!




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