segunda-feira, 27 de maio de 2013

Lixo de cada dia



Não sei se são meus olhos, mas a velocidade com que a gente anda produzindo e consumindo está muitíssimo além do recomendado pelos médicos da Terra, não? Parece aumentar exponencialmente, quando na verdade estaria muito bem alocada numa constante, o que soa como uma piada quando se fala em humanos.
O grande volume de lixo é um caso especial a ser lembrado. Todas aquelas imagens de documentários e palestras ou mesmo as estatísticas sobre a produção de resíduos por pessoa diariamente parecem não impressionar mais os alvos da conscientização.
- O meu lixo é problema meu.
Essa e outras frases similares representam a postura muitíssimo madura assumida por muita gente. Já ouvi isso, inclusive. Primeiro, acredito que se o lixo fosse responsabilidade exclusiva de cada cidadão, não seria coletado pela empresa terceirizada que faz sempre a parte mais suja do trabalho, e sim cada um de nós estaríamos verdadeiramente responsáveis pelo que produzimos de resíduos. Colocar o saco preto na rua é fácil.
É claro que as empresas estão aqui pra varrer a sujeira do mundo. Obviamente recebem por isso. E mesmo assim, o fato não dá direito ao cidadão de esbanjar no consumo e de produzir o seu resíduo de cada dia como se seu lixo fosse simplesmente desaparecer depois de levado ali da porta de casa. É claro que a sensação é essa. O caminhão de lixo passou, levou aquela sujeira fedida, ufa. E quando ele atrasa, vira um inferno. O sol esquenta, o lixo esquenta, o cheiro aumenta. E então a empresa passa a ter uma mãe, que é indevidamente xingada.
Tem cidade por aí que nem espaço para o lixo tem. Manda tudo pra vizinhança, porque no seu perímetro qualquer área viável já está saturada. Infelizmente não há uma conscientização efetiva nesses centros urbanos. Aqui e ali uma panfletagem – que vira lixo – ou até mesmo aquela mensagem nos panfletos, que fica ali escondidinha no canto: "Não jogue em vias públicas". Tem também os comerciais televisivos em horários de baixa audiência e palestras pouco divulgadas e em pontos isolados do ano. Assim não dá, né?
No estado de São Paulo tentaram cortar o fornecimento de sacolinhas plásticas nos supermercados. Mas esqueceram de cortar os centavos que pagamos por elas e que estão inclusos em cada produto. O fornecimento parou, as contas foram feitas e descobriram que o consumidor ainda pagava por elas. Mas o pequeno valor dificilmente poderia ser tirado dos produtos. As sacolinhas voltaram, pois a gente vive em um mundo onde poupar pouquíssimos centavos por compra é mais importante que salvar o planeta.
 Não adianta só criar soluções para o lixo quando ele já é lixo. A reciclagem é famosa há um bom tempo e nem por isso ela é totalmente eficaz. Ajuda muito, sem dúvidas. Mas não pode trabalhar sozinha. É mais do que necessário reduzir a produção para que a matéria prima deixe de ser transformada no produto em grande escala. E se isso acontece, não é à toa. É porque há um grande mercado consumidor, que consome além do necessário e tem pouco se importado com o montante de sujeira do planeta. 
Às vezes parece que enquanto não formos sufocados pelos nossos próprios erros, não aprenderemos. 
 Felizmente existem pessoas que pensam no bem do planeta e lutam em prol das mudanças. A essas, meus parabéns. 
Aqui ninguém mais ficará depois do sol
No final será o que não sei, mas será
Tudo demais
Nem o bem nem o mal
Só o brilho calmo dessa luz

O planeta calma será terra
O planeta sonho será terra,
E lá no fim daquele mar
A minha estrela vai se apagar
Como brilhou
Fogo solto no caos
Luís Fellipe Alves 

7 comentários:

  1. O excesso de lixo é um problemão. O descarte, o transporte, o destino...

    Os excessos são um grande problema também.

    Que de pequenas, individuais e familiares a grandes, coletivas e corporativas soluções, de diminuir o consumo e separar o lixo a reciclar não nos percamos em meio a tantos problemas causados pelo bicho homem.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Assim esperamos que não aconteça, amiga Tina.

      Dá medo de pensar no ponto que podemos chegar e nas consequências que tendem a ficarem piores.

      Excluir
  2. Luís Fellipe,

    Lendo seu texto fiquei pensando: não sei até que ponto realmente somos conscientes do problema lixo. Vejo uma limitação: até mexer com nossa comodidade. Aí 'acaba' nossa conscientização, nos fazemos de desentendidos. Pois não seria tão simples jogar o lixo na lixeira e não no chão? Mas basta olhar ao redor - principalmente nas paradas de ônibus e em locais de grande concentração do público - para vermos que poucos passos parecem demais: o lixo é descartado ali mesmo, no chão. Tanto pior falar em reduzir nosso consumo! Parece impossível, inviável...
    Mas felizmente existem jovens de opinião firme como você, que escrevem textos claros e precisos, chamando cada um de nós para nossa responsabilidade. Afinal, meu lixo é problema meu, sim, e que problemão! Melhor saber o que fazer com ele...

    Abraço, garoto!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Realmente, amiga. Para uma sociedade que nem dez passos dá para ir até uma lixeira, consumir menos parece uma missão impossível! Por isso digo que as consequências fortes é que nos farão acordar. Espero que não seja de uma forma dolorosa, mas a julgar pelas catástrofes que vemos (e que se não fossem sérias não receberiam esse nome) já temos uma ideia do que vem por aí. Ainda há tempo de mudar...

      E quanto ao lixo ser o problema de cada um, eu usei no sentido daquelas pessoas que, ao serem criticadas pela forma como consomem e descartam seu lixo, criam esse discurso de responsabilidade sendo que a responsabilidade mesmo fica por conta de quem recolhe toda a sujeira. O lixo é sim nosso problema, mas não trabalhamos sozinhos... E precisamos fazer mais do que descartá-lo. Precisamos diminuir e se possível separar.

      Abraço!

      Excluir
    2. Preciso retornar apenas para que não reste uma dúvida: entendi perfeitamente o que você quis dizer, e ironizei ao mencionar que 'o problema é meu', pois é um problemão, que afeta a mim e aos outros, porém muitos minimizam, pensam que apenas descartar - ou nem isso - o seu lixo, de qualquer jeito, já está bom demais para suas possibilidades. Seu texto está ótimo e suas ideias sempre muito claras!!! Abraço de novo.

      Excluir
  3. Oi, Fellipe, nada me espanta tanto em matéria de lixo quando recebemos o lixo dos países ricos da Europa - e não faz muito tempo! Você lembra disso? Quantos contêineres foram pegos em alguns portos do nosso país? Sim, é triste... Aceitar o lixo dos outros aqui e por uns trocos? É inaceitável, escandaloso. Mas somos assim, humildezinhos; se não fôssemos, jamais tentariam coisa igual por aqui. Depois, ainda queremos botar banca, bancando os orgulhosos em outras esferas.

    Beijos!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Impossível esquecer essa coisa maluca. O Brasil passa uma imagem muito errada e isso tem prejudicado nossa população de vários aspectos.

      Não tem cabimento um país receber lixo de outro continente por uns trocadinhos, como você disse. Num país que isso acontece é quase impossível pensar em mudanças eficazes por parte da população.

      Queremos ser vistos de um jeito, mas nossas ações nos caracterizam: somos o país bondoso e muitíssimo bobo, onde a festa, o futebol, a alegria vem como nossas máscaras quando na verdade estamos lotados de problemas seríssimos.

      Beijos, obrigado pela visita!

      Excluir


Obrigado!




Ir para o Topo