segunda-feira, 29 de julho de 2013

Informação de ouro



Fonte: Eduardo Knapp/Folhapress (Adaptada)

Algumas pessoas ficariam indignadas com o preço. Eu, com (quase) certeza, teria notado um papel com os escritos “Informação R$ 8,00”. Nem me aproximaria da banca e refletiria sobre o caráter humorístico ou não daquilo. Afinal, já entrei em um consultório de dermatologia em que a consulta era duzentos reais e só-uma-olhadinha era setecentos. Felizmente era só uma brincadeira da doutora.
Brincadeira, porém, não é o caso da tal banca perto do metrô da Barra Funda. E aquele que não notou o preço da info por ali, acabou sendo surpreendido pelo jornaleiro que não gosta de ser um GPS Humano.
Você pergunta onde fica um ponto de ônibus ou então um determinado edifício e o jornaleiro responde que a informação custa oito reais. Como se a vida já não fosse louca o bastante, você se depara com situações assim em São Paulo. Foi o que li por aí.
O estoque de cortesia parece ter acabado. A gentileza ficou para trás há muito tempo. Parece que o tal jornaleiro anda fazendo jus àquela canção do Criolo “Não existe amor em SP”. A princípio, parece uma atitude egoísta, de pouca civilidade. Mas para uma banca sozinha num raio de aproximadamente um quilômetro, vale dar uma olhadinha no caso.
Bastante gente transita ali diariamente. Pedem informações que, muitas vezes, poderiam ser resolvidas com um acréscimo de atenção na procura. Na linguagem popular, tá embaixo do nariz e o fulano não vê. Como uma miragem no deserto, o ser perdido enxerga a banca e corre para arrancar uma informaçãozinha. Mal sabe a santa pessoa que até o quilo do tomate em época de inflação instável sai mais barato do que saber onde fica o prédio da Previdência Social. 
Sempre fui muito precavido quanto a informações que preciso. Faço uma pesquisa, procuro ruas principais, grandes lojas ou indústrias que possam servir de referências. Mas não é a todo instante que tenho a sorte de acertar nos meus referenciais. Ou então, em outro caso, posso precisar sair de determinado lugar e ir para outro, sem aviso prévio. Sem tempo hábil para pesquisas. E aí?
E aí eu vou depender da civilidade alheia.
O jornaleiro abriu mão da bondade extrema, mas foi extremo. Fica claro que o preço é uma ironia, porém é um repelente um tanto quanto severo e incabível. É lógico que ninguém vai pagar por isso. Mas também não receberá a informação. Será que o jornaleiro não acabará repelindo futuros clientes?
Concordo com um comentário que li (e acrescento algumas coisas): O mesmo papel que o jornaleiro gastou para estampar o preço da informação poderia ter sido usado para escrever os pontos mais procurados pelo pessoal que passa ali.
Tem gente que abre mão do bom senso. Quer tudo mastigado. Por outro lado, há quem goste de apreçar a civilidade. Enquanto a prefeitura não toma lá suas atitudes com placas orientadoras, seria interessante que ambos os lados, transeuntes e jornaleiros, moderassem de alguma forma esse problema. Mas isso dependeria de uma infinidade de coisas, que tornariam o assunto muito pessoal.
Ao final disso tudo, percebi que chamar as grandes cidades de Selva de Pedra faz mais sentido nesse contexto. Principalmente pela fauna!

Luís Fellipe Alves

14 comentários:

  1. Você anda lendo Veríssimo?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ando lendo Machado de Assis e Paulo Mendes. Mas Veríssimo nunca deixei de ler. Por quê?

      Excluir
    2. As palavras maiores na primeira linha rs

      Excluir
    3. Influência lá dos diálogos impossíveis dele mesmo.

      Excluir
  2. Se a moda pegar... vou ter que andar precavida com mais uns trocados no bolso.
    Já estaria devendo muito R$8,00 lá pelas bancas da av Paulista... Tenho falha de GPS intrínseco e naquela região falta umas boas plaquinhas com nomes de ruas!
    Beijo

    ResponderExcluir
  3. Papel e tinta gastos com as informações mais pedidas foi A IDEIA.

    Eu me julguei uma ET quando li a matéria e quando elaborei mentalmente o que comentar aqui.
    Ontem falei por lá das coisas, lojas, marcas, livros que indico sem as empresas ou pessoas sonharem que existo. Utilidade pública, pensa minha mente fora de moda e dos praxes capitalistas e individualistas.

    Falando em comércio eu trabalhei muitos anos em dois dos maiores shopping´s aqui de Salvador e tb trabalhei na secretaria de uma faculdade.
    Das funções que eu tinha nos dois casos, as quais era sumariamente remunerada para fazer a que sempre me deu mais prazer foi dar informações, de todo tipo.

    Muitas colegas da loja do shopping ficavam iradas de alguém perguntar onde ficava tal loja, muitas diziam não saber, sem nem mesmo ouvir de qual loja se tratava. Eu sempre dava s informações pedidas a mim e aos outros, uma gari de perguntas jogadas no chão sem respostas. Até qd eu não sabia responder tentava dar um caminho até a resposta.

    Eu na verdade não posso ver alguém com dúvida ou precisando de algo que vou logo me oferecendo para ajudar, as vezes escolhendo o tom e a abordagem para a pessoa não se assustar pois as pessoas não estão acostumadas a informações gratuitas e a domicílio, que mundo louco eu penso. Ou serei eu a louca?

    ResponderExcluir
  4. Em tempo, coloquei o link de seus blog na minha lista lateral de blog´s queridos e vou te cobrar só continuar fazendo boas publicações para quem clicar lá e vir aqui ter sempre coisas novas para ler, olha que pechincha :)

    ResponderExcluir
  5. Oi Felipe,
    Trabalhei vários anos no Semasa em Santo André, minha obrigação seria saber onde ficava o setor de cada rua. Então disse ao me santo chefe: nós somos em quinze e eu não gosto de decoração, faço tudo aqui, mas isso não. Ele era tão legal! Saí quando quis só sabia o setor onde morava, se fosse dar informações de rua, morreria de fome.kkk
    Obrigada pela visita
    Lua Singular

    ResponderExcluir

  6. Olá Luís Fellipe,

    A iniciativa deste jornaleiro é inusitada, mas também criativa, apesar de nada civilizada. Imagino o aborrecimento dele sendo perturbado em seu trabalho ininterruptamente por pedidos de informação. De tão estressante ele não chega a raciocinar que pode estar afastando clientes de sua banca. Difícil julgar sua atitude.
    Por outro lado, é por falta de solidariedade e gentileza que a humanidade está tão agressiva. Intolerância, impaciência e desamor tornam os nossos dias mais difíceis e desprovidos de calor humano.
    O equilíbrio se faz necessário. Precisamos aprender a resolver sozinhos o que temos condições de fazer antes de onerar o próximo, que também já está sobrecarregado com seus problemas.
    Mas, vamos combinar, o preço do jornaleiro está bem salgadinho-rsrs.

    Excelente crônica.

    Abraço.

    ResponderExcluir
  7. Báh, essa eu nunca tinha visto! O cara é criativo, porém explorador, desprovido de qualquer sentimento de solidariedade. Poderia colocar uma caixinha de donativos 'livre', pelas informações. Seria um sovina, mais simpático; credo, vou morrer e não ver tudo!

    Um beijo!

    ResponderExcluir
  8. Olá Luís Fellipe,
    Gostei demais da sua visita no meu bloguinho.
    Você será sempre bem-vindo!
    Adorei o comentário, você deve ser um menino de Marte!
    Um abraço
    Pedro

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu faço a declaração e reconhecimento de que ele é de marte, amiguinho marciano e príncipe Pedrinho.
      Sendo uma ariana e portanto de marte e uma marciana em mtos quesitos atesto e dou fé :)

      Excluir
  9. primeira vez que vejo dessas coisas. E confesso que fiquei espantada. Não dá mesmo pra ter noção das coisas absurdas que acontecem neste mundo!

    Estou boba!!!

    beijo pra ti!

    ResponderExcluir
  10. Gostaria de partilhar contigo a minha postagem de hoje, dia 14/01/14, no meu blog A CASA DA MARIQUINHAS/
    Desde já o meu “Bem hajas”!
    Beijinhos
    Mariazita
    (Link para o meu blog principal)

    ResponderExcluir


Obrigado!




Ir para o Topo