segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O Excel e o dicionário que há em nós




Fonte (Adaptada)


Era ainda muito novo quando ouvia falar de computadores. Aqui no Brasil, nessa época, eram muito mais comuns em empresas. E embora fosse um artigo de luxo quando visto numa residência, aos poucos foi ganhando a devida inserção nos lares. Demorou um tempinho até que coubesse no orçamento de casa. Finalmente o dia chegou. Tinha nove anos.
Lembro mais ou menos da data. Ao chegar da escola, meus pais já estavam em casa.  Pediram que eu fosse até meu quarto. Tcharam! Lá estava o computador com o descanso de tela dinâmico. Caramba, nem jantei naquele dia. Fui do bloco de notas ao paint, me diverti criando rostos estranhos e transcrevendo historiazinhas de livros que eu tinha.
Dias depois, comecei a uma exploração mais profunda das funções. Não demorou muito para que eu descobrisse o Excel. De todos os programas, aquele era o que mais me intrigava.
- Que isso, pai?
- É uma tabela pra dados, filho.
E minhas primeira ação foi rolar o mouse até atingir a última combinação de letras e depois até chegar ao último número. Ufa! Demorou séculos. Ainda não entendia, porém, a utilidade. Tabela para dados? Hum... Dados. Que dados? Ah, já sei! Nesse instante surgiu a brilhante ideia. Na minha concepção, as colunas serviam para você escrever palavras com a determinada letra correspondente a ela. E as linhas, com os números, serviam para saber quantas palavras você consegue escrever com aquela letra. Tudo bem que as colunas não iam só de A a Z. Eis uma lacuna na minha teoria. Mas... Quem iria questionar? Pensado isso, mãos a obra!
Se me recordo bem, palavras com “A” passaram de 200. Escrevia nomes, nome de animais, objetos, tudo! Preenchi de A a Z, sem deixar uma letra para trás. Logicamente, não conseguiria pensar em muitas palavras para todas elas. Mas guardei o arquivo para sempre acrescentar uma nova, caso eu lembrasse.  Ser criança foi uma maravilha.
Cresci. Chegou o dia em que precisei aprender realmente qual a serventia do Excel. Tudo bem que já sabia, então, o que era uma tabela para dados. Mas precisava descobrir ainda suas funções e os campos de sua utilização. Não demorou muito para que eu começasse a utilizá-lo com bastante frequência, para as mais diversas atividades, ao começar a trabalhar.
Quando uma priminha visitou a minha casa, sugeri a ela que usasse o programa da mesma maneira  que usei quando criança. Escreveu palavras que conhecia e até inventou algumas. Uma pena não lembrar qualquer uma das suas invenções e nem mesmo ter guardado sua planilha. Nas idas e vindas do conserto, já de outro computador, o arquivo deve ter se perdido por aí...
Nessa embarcação de ideias digitais, ressalvo, entre fluxo de caixa, tabelas, gráficos e orçamentos, a mais importante serventia: O suporte para dar vida àquilo que a imaginação pensou em fazer. Hoje, o computador tornou-se extremamente comum e, em alguns lares, um problemão.
Para os pais de plantão, fica a ideia e também o incentivo a novas ideias. Para os adultos em geral, fica a recomendação. É um exercício interessantíssimo consultar o dicionário que há em você. Neste exato momento, que palavra bem escondida, que não usa há tempos, você pode encontrar vasculhando a própria mente?

Luís Fellipe Alves

4 comentários:

  1. Maravilhoso post \o/


    Eu e minhas histórias, lá vai:

    Ontem na hora do almoço eu e meu marido encafifamos que havia algum nome para o lugar onde guarda-se os mantimentos em casa, além de "dispensa"

    Pensamos, pensamos, eu usei a minha técnica favorita de ir enumerando as letras do alfabeto, com sentido de que a do nome parece me chamar, tem tb a de morder a ponta da língua, ensinada por minha mãe que racionaliza sobre a palavra estar na ponta da língua, estando, mordendo, ela pula...rsrs
    Nada da palavra e nosso filho: - Olha no Google!
    Eu disse que não, que eu ia lembrar, que era um desafio a mim mesma, que agente tinha que fazer esses exercícios para não ficar presos a agendas, anotações, consultas...

    Liguei para minha mãe, risos e nada da palavra. Ela ligou para uma irmã minha e espalhou a pergunta
    Meu filho: - Ainda não olharam no Google?!
    Eu respondi: - Diz-se que o dicionário é o pai dos burros, o Google, então bem podia ser o tio dos preguiçosos (adoro, mas quis ilustrar o abuso do uso)

    * Tenho inclusive na gaveta uma postagem sobre Google x Memória

    Marido então se rendeu ao Google e dispensa que nos parecia um nome nada apropriado por remeter a dispensar, foi descoberta como sendo despensa, palavra originária do latim (dispendere), “gastar”, pois era ali que se guardavam as coisas necessárias ao funcionamento da casa e com as quais se havia feito gastos

    :)

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  2. Pois minha amizade com o computador nasceu meio desinteressada, em vez de continuar a escrever meus textos (que enviava para concursos) numa máquina de datilografia, fui para o PC do marido e achei uma droga. Fiquei numa neura, mal tocava na tecla o negócio explodia na frente, disparava. Fiz um e-mail – do primeiro e-mail a gente nunca esquece. E fui indo, recebendo aquelas mensagens de Internet, que rodam há anos.
    Lembro que quando comprei o 'meu' PC, vi uns arquivos muito esquisitos, pareciam umas cobrinhas, e resolvi limpar todas aquelas porcarias, afinal, eu não coloquei nada daquilo no PC!! Deletei uma porção de arquivos!! O negócio não funcionava mais. Tive de mandar arrumar o desgraçado. rsss
    E assim começou uma amizade que acredito, seja eterna enquanto dure. Estamos nos entendendo, alguém tinha de mandar: e eu mandei! Fiquei estudando, conhecendo, aceitando a modernização.

    Digo que hoje formamos uma linda dupla, nos respeitamos. Deixo-o com seus arquivos malucos...
    Adorei poder contar aqui minha historinha...
    Beijos!

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  3. A palavra que há tempos não uso e na verdade nunca usei é entijucada.
    Estou com ela por conta do corretor ortográfico que parece ter vida própria e me saiu com esta.

    Mas eu me lembro do tal Excell que aprendi a usar num curso de computador. Aula vip, particular para que eu pudesse perder o medo do mouse.
    Ah eu sou do tempo que quando o computador chegou nas residências, eu tinha uma amiga que dizia que o computador emitia uma tal radiação tão maléfica que ela usava um spray esotérico para tal finalidade.
    Comprei um também!
    Bj

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  4. Criança inteligente, não é? Eu já te contei que gravava perguntas para eu mesma responder? Ser filha única tem dessas coisas! Até parece que estava adivinhando que seria um dia jornalista. Adorei a sua imaginação para as tabelas do Excell. Quanto às palavras escondidas na mente,elas costumam aparecer na hora de escrever. Juro, às vezes nem sei o significado! Um ótimo dia! :)

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Obrigado!




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