domingo, 11 de agosto de 2013

Pai




Não é fácil descrever a figura paternal. Isso porque os sentimentos são inúmeros e torna-se difícil coloca-los em palavras. Há tanto o que dizer, mas há muito mais que é sentido. Muitos irão entender. Diria que o velho é segurança, é proteção, é amor, é companheirismo, é aquele pacificador. Aquele que sorri quando você suja a roupa com raspadinha. E que te dá uma bronca quando quem fica sujo é o sofá da sala...
- Sua mãe vai chegar e vai matar a gente, menino!
Eu era ainda uma coisa miúda. Ele trabalhava em turnos diferentes dos da mamãe e passava grande parte do dia comigo. Trocar fraldas era sua especialidade. Mas fazer gracinhas para me arrancar um sorriso era mais. Com certeza!
Lá pelos cinco anos, peguei o costume de cochichar em seu ouvido coisas que eu queria comer, enquanto a mamãe ficava por fora do segredo. Ele providenciava na medida do possível. Às vezes era tarde da noite e eu queria chocolate! Bastava que ele retornasse o cochicho explicando que não era possível àquela hora e eu entendia.
Pode até ser clichê chamar pai de herói. Mas eu afirmo isso com gosto. Meu pai é meu herói. Sempre foi. Isso ficou mais do que claro em um dos momentos mais tensos que vivemos em família. Uma noite numa cidade próxima a Santos, no litoral paulista. Estávamos na casa de praia, alguns jogavam baralhos, outros faziam a janta e as crianças cantavam no karaokê. Cinco assaltantes entraram na casa e nos renderam. A arma estava em minha cabeça. Fomos levados a um quarto e enquanto saqueavam nossas coisas, fomos mantidos naquele espaço. Via nos olhos da minha mãe o desespero por ver seu filho de onze anos com uma arma na cabeça. Meu pai, então, propôs ao assaltante que ele ficasse no meu lugar. Até aquele instante nenhuma lágrima havia caído no meu rosto. Mas ao ver a figura de meu pai, ajoelhado e na mira de um revólver, foi instantâneo. E essa foi sua maior prova de amor.
Não preciso ir adiante. Aquela lágrima foi pela situação e por perceber que meu herói daria sua vida para tirar a minha de risco. E eu levarei isso comigo até o último minuto da minha vida. Ele é e sempre será meu herói.
Eu te amo, meu velho. 
Luís Fellipe Alves

4 comentários:

  1. Nossa mãe!!! Acabei de ler essa sua crônica toda arrepiada e com um nó na garganta!
    Fellipe, eu também acho que seu pai é seu herói! Um pai cheio de amor tem o que merece: todo o amor que um filho pode dar.
    Emocionante relato!

    Beijo, amigo!

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  2. Pai e filho
    Que passaram por coisas prosaicas
    E por um grande perigo
    Heróis, parceiros, amigos

    Linda postagem :)
    Td de bom pra vcs como família e como indivíduos
    Proteção, coragem e realização
    BOA SEMANA!

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  3. Olá.
    Visitando blogs amigos conheci o seu.

    Gostei de seu texto.

    Meu herói já não está comigo, mas essas característica me fizeram lembrar dele.

    Abraço.

    filhadejose.blogspot.com
    AnaVi

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Obrigado!




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